Antonio Assis: realidade aumentada nas aulas de Anatomia Veterinária

Tecnologia e inovação transformam o ensino de anatomia na FMVZ-USP

Simulação em 3D, retirada do vídeo do Prof. Antonio Assis Neto

A Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP está inovando no ensino de anatomia com o uso de dispositivos, normalmente em formato de óculos ou capacetes, que permitem aos alunos visualizar peças anatômicas em realidade aumentada. A iniciativa, liderada pelo professor Antônio Chaves de Assis, do Departamento de Cirurgia, tem despertado grande entusiasmo entre os estudantes ao proporcionar uma experiência imersiva e interativa no aprendizado da morfologia animal.

Parte dos resultados deste projeto estão sendo inserido na “Plataforma Holográfica Interativa de Anatomia” disponível no repositório EduCAPES, onde o projeto está cadastrado. No site é possível ver exemplo das possibilidades da tecnologia já utilizada nas aulas. Com óculos, que combina elementos reais e virtuais em um mesmo campo de visão (realidade mista), o aluno pode explorar órgãos e estruturas anatômicas de forma interativa e bidirecional, manipulando-os em diferentes posições anatômicas – dorsal, ventral e lateral. É possível, por exemplo, visualizar ossos do crânio como frontal, nasal, parietal e temporal, aumentar o tamanho das peças, “entrar” nas estruturas e identificar detalhes anatômicos como os forames mandibulares e as relações dos ossos com os dentes.

“É uma nova forma de estudar anatomia. Podemos ver os órgãos de todos os ângulos, ampliar, girar, enxergar dentro das estruturas e nomear cada parte. É um avanço significativo no ensino”, explica o professor Assis.

A tecnologia não substitui o método tradicional ou o estudo das peças anatômicas e dissecações, mas os complementa. Na FMVZ-USP, os alunos  têm aulas teóricas seguidas de práticas com cadáveres de animais. No sétimo semestre, realizam dissecações com foco (aplicações) clínico e cirúrgico. “Os óculos servem como preparação para esse momento, ajudando a reduzir o impacto inicial do contato com cadáveres e tornando o processo menos desconfortável,” destaca o docente.

 

Professor Assis com a peça que está sendo visualizada em 3D

Os estudantes relatam ganhos significativos. “Usar os óculos 3D foi fundamental para complementar os ensinos teóricos e visualizar melhor o que aprendemos em sala”, afirma Maria Laura, aluna de graduação.  Caio Landi, ex-bolsista de Iniciação científica (CnPQ/PIBITI – Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação), e atualmente mestrando do Programa de Pós-Graduação em Anatomia dos Animais Domésticos e Silvestres da FMVZ/USP, ressalta o impacto   do material plano para o tridimensional: “No começo (referindo-se às aulas práticas tradicionais), a gente se perde porque só tem acesso a imagens 2D (como atlas e roteiros de estudos). Com os dispositivos, temos uma percepção completamente diferente”.

Outro estudante, Rafael, lembra que a tecnologia também ajuda a contornar problemas relacionados ao desgaste das peças físicas. “Mesmo bem preservadas, algumas estruturas ficam difíceis de diferenciar. Os óculos ajudam nisso e facilitam para quem tem mais afinidade com o digital”, diz.

Para Amanda, aluna da graduação, a possibilidade de girar as estruturas anatômicas e vê-las de vários ângulos facilita o entendimento, superando até mesmo as limitações da manipulação física. “A visualização tridimensional é difícil, mesmo com peças reais. Com os óculos, conseguimos ver de formas que antes não eram possíveis.”

O professor Assis reforça que o objetivo não é substituir o uso de cadáveres, mas agregar tecnologia como ferramenta de apoio. “A dissecação é insubstituível para quem vai atuar com cirurgia, por exemplo. Mas os óculos ajudam a preparar os alunos, a despertar curiosidade, a gerar empolgação”, destaca.

Na FMVZ-USP, após a avalição de seus resultados em diferentes turmas, estuda-se a ampliação do uso da tecnologia  buscando integrá-la ainda mais ao currículo. Segundo Assis, há grande potencial para aplicação da realidade aumentada em outros campos da Medicina Veterinária e também  áreas da saúde, como medicina humana, odontologia, enfermagem e fisioterapia. “O ambiente da USP é propício para esse tipo de inovação. A tecnologia tem de somar, nunca excluir. Já existem relatos de uso intraoperatório de realidade aumentada em humanos. Estamos caminhando para esse futuro”, finaliza o docente.

Aluna utilizando ferramenta 3D em aula de anatomia, vídeo do Prof. Assis Neto