Pesquisa da FMVZ-USP recebe Prêmio Capes de Tese 2025 por pesquisa sobre vírus aviários
A Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ-USP) comemora a conquista de um de seus nomes de destaque na pesquisa científica. A médica-veterinária Laura Morais Nascimento Silva recebeu o Prêmio Capes de Tese 2025 -área Medicina Veterinária, reconhecimento máximo às melhores teses de doutorado defendidas no Brasil em cada área do conhecimento com a pesquisa Vigilância genômica e caracterização dos vírus da influenza aviária H5N1 de alta patogenicidade e do vírus da doença de Newcastle virulento em animais silvestres do Brasil: relevância para a saúde única e as políticas públicas.
Orientada pela professora Helena Lage Ferreira, do Programa de Pós-Graduação do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal (VPS) da FMVZ-USP, Laura realizou a vigilância molecular de vírus de grande impacto para a avicultura e para a saúde pública: ao vírus da influenza aviária (H5N1) e ao vírus da doença de Newcastle (NDV).

A pesquisa trouxe resultados inéditos, como a identificação de casos de influenza aviária H5N1 em aves silvestres no Brasil, a detecção do mesmo vírus em leões marinhos com mutações de possível adaptação a mamíferos, e o mapeamento do NDV em pombas urbanas geneticamente relacionadas a surtos em aves comerciais. Os achados, publicados em três artigos científicos, tiveram repercussão internacional, com o compartilhamento de sequências genéticas com a rede OFFLU, ligada à Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) e à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), contribuindo para a formulação de vacinas pré-pandêmicas.

Além do prêmio da Capes, a pesquisadora já havia sido reconhecida anteriormente com o Prêmio de Melhor Apresentação Oral no Congresso Brasileiro de Virologia (2022 e 2023) e com o Prêmio Hélio Gelli Pereira (2024), a maior distinção da virologia no Brasil. Atualmente, ela atua na indústria animal, no desenvolvimento de vacinas.
Uma trajetória de persistência
A infância em escolas públicas, os primeiros empregos como atendente de lanchonete, vendedora em uma livraria e professora de inglês poderiam ter sido apenas notas de rodapé na vida de uma jovem de São José dos Campos, SP. Mas foram, na verdade, os alicerces de uma história de persistência.
Hoje, aos 34 anos, Laura olha para trás e reconhece que o caminho até a ciência premiada não foi linear, mas valeu a pena. Depois de se formar médica-veterinária pela Universidade Federal de Pelotas em 2018, e concluir o mestrado na Universidade Federal de Viçosa em 2020, conciliou a rotina exaustiva do regime CLT com as exigências da escrita acadêmica. O esforço quase lhe custou muitos momentos de o lazer, e o descanso e de dedicação a atividades cotidianas, mas a dedicação venceu as incertezas da vida científica no Brasil.
“Foi um momento de muita emoção. Saber que meu trabalho foi escolhido, entre tantos outros, pela sua relevância. É também uma prova do quanto o amor pela pesquisa e o apoio da minha orientadora, a professora Helena, e de colegas de excelência fizeram diferença”, analisa.

Olhando para a própria trajetória, Laura se tornou mais que uma pesquisadora premiada: transformou-se em exemplo de resistência e inspiração. Sua história mostra que a ciência brasileira também é feita de pessoas que acreditam, persistem e seguem adiante, mesmo diante das dificuldades.
Sobre o Prêmio Capes de Tese
Divulgado no dia 29 de agosto de 2025, o Prêmio Capes de Tese é a principal honraria acadêmica concedida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão vinculado ao Ministério da Educação. Criado em 2005, o prêmio reconhece as melhores teses de doutorado defendidas no Brasil no ano anterior à premiação, nas 49 áreas de avaliação dos programas de pós-graduação stricto sensu.
A seleção é feita em várias etapas: os programas indicam uma tese, que passa por avaliação de comissões científicas especializadas. São analisados critérios como rigor metodológico, originalidade, relevância científica e impacto social da pesquisa. Em cada área, uma tese recebe o prêmio principal, e outras podem ser agraciadas com menções honrosas. Além disso, três trabalhos de destaque concorrem ao Grande Prêmio Capes de Tese, dividido entre as áreas de Humanidades, Ciências da Vida e Ciências Exatas, Tecnológicas e Multidisciplinar.
Os vencedores recebem certificado, medalha e uma bolsa de estágio de pós-doutorado internacional, de até um ano, em instituição de excelência.
A importância do prêmio vai além do reconhecimento individual: ele estimula a excelência acadêmica, fortalece os programas de pós-graduação e projeta a ciência brasileira no cenário internacional. Também contribui para aproximar a pesquisa científica da sociedade, destacando estudos que podem gerar avanços tecnológicos, influenciar políticas públicas e promover inovação em diferentes áreas.
